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domingo, 16 de outubro de 2011

História da Estação Ferroviaria de Bragança e a Estação Santa Izabel


E. F. Bragança (1885-1965)
SANTA ISABEL
(antiga JOÃO COELHO)

Município de Santa Isabel do Pará, PA
E. F. Bragança - km 40,743 (1960) RS-4142
  Inauguração: 16.03.1885
Uso atual: em pé (uso desconhecido) sem trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d
 
HISTORICO DA LINHA: Em 1616, quando Francisco Caldeira Castelo Branco aportou em Belém, já lá encontrou comerciantes batavos e ingleses. Com a cidade já estabelecida, açorianos também ali se instalaram e com isso outros núcleos foram surgindo, como Souza do Caeté, a futura Bragança. Para prover o abastecimento da região, já existia a cidade de São Luiz, no Maranhão, mas as comunicações por mar, por terra e por via fluvial eram difíceis. Ao longo do caminho, formaram-se pequenos povoados, como Castanhal, Igarapé-Açu, Timboteua e Capanema. Somente no último quarto do século 19 é que o Governo Provincial resolveu-se pela construção de uma estrada de ferro na região, quando esta já tinha produção agrícola razoável, mas uma imensa dificuldade de escoamento. A ferrovia deveria ligar Belem a São Luiz. Em 1870 já havia negociações nesse sentido. Após várias demoras e desistências, a obra começou em meados de 1883. Em 24 de junho de 1884 foi inaugurado o trecho inicial até a colônia de Benevides e em 1885, a Apeú. O trecho seguinte até Jambu-Açu, a 105 km de Belém, foi completado em 1897. Até 1907, a ferrovia avançou mais 31 km e em 1908 chegou a Bragança, seu objetivo mais importante: a essa altura, São Luiz era já um sonho numa estrada que não atingia 300 km de extensão. A ferrovia, sempre deficitária, tentou-se arrendar em 1900, mas, como o desenvolvimento na região por ela percorrida compensava os prejuízos, resolveu-se por um empréstimo externo no valor de 650 mil libras esterlinas. Finalmente, em 1923, a ferrovia foi repassada para a União e o Estado tornou-se seu arrendatário até 1936. A partir daí, passou de vez para administração federal. Em 1965, em péssimas condições de operação, fechou de vez.
 
A ESTAÇÃO: Já desde 1885 em Santa Isabel existia uma estação da Estrada de Ferro de Bragança. A inauguração do trecho deBenevides a Santa Isabel deu-se no dia 16 de março daquele ano. Note-se que o Guia Geral de 1960 dá à estação uma data de inauguração em 1907, claramente incorreta. Ainda no ano de 1885, os trilhos foram estendidos até a localidade de Apeú. De 1934 a 1961, a cidade e a estação se chamaram João Coelho, nome de um

ACIMA: A fotografia tem a indicação de ser a da inauguração da estação de Santa Isabel. A data, então, seria 1885. A estação dá a impressão de ser de madeira, pelo menos nessa época; ela está à direita da foto (Autor desconhecido).antigo político paranense. Em 1961, o nome passou a ser Santa Isabel do Pará. "Antes da estação de Santa Isabel o trem era abastecido d'água. Em Santa Isabel comprava-se a melhor pipoca, feita de goma (polvilho, naquele tempo). As pipocas vinham em saquinhos de papel de seda colorido. Pena que a parada era só para embarque e desembarque, não dava para comer demais"(Júlia, a "Julinha", 80 anos em 2003, Professora da UFPA). Em 1955, foi relatada uma visita feita à cidade: "Nossa primeira parada foi em João Coelho, situada a cerca de 50 km de Belém. Em João Coelho, entramos em contato com a primeira aglomeração urbana da região bragantina do Pará. As aglomerações que a antecedem, como Ananindeua, Marituba e Benevides, podem ser consideradas como zonas suburbanas de Belém. A "cidade" de João Coelho. — João Coelho, por definição administrativa, é uma cidade. Na realidade, entretanto, assemelha-se mais a um modesto povoado. E a um modesto povoado que parece estar morrendo aos poucos, diante da completa apatia da sua vida econômica. Não foi outra a 

ACIMA: A estação de Santa Isabel, neste mapa de 1908, estava localizada entre os núcleos de colonização de Benevides e de Santa Rosa. O estabelecimento desde último deu-se em 1883 (Revista Brasileira de Geografia, jul-set 1961). ABAIXO: Esboço da zona urbana de Santa Isabel, ainda com o nome de João Coelho, em 1955, mostrando a localização da estação (Mapa desenhado pelo Prof. Dirceu Lino de Mattos em outubro de 1955).
nossa impressão ao penetrar na sonolenta placidez do desarranjado e mal conservado conjunto de casas e das ruas esburacadas e cobertas de gramíneas dessa povoação. Para quem procede de Belém, a cidade aparece meio de súbito, numa das curvas da estrada. Não porque ela esteja oculta atrás de alguma elevação ou escondida no fundo de algum vale. Na planura coberta pela mata, o horizonte visual é limitado e as cidades amazônicas, por isso, nunca são avistadas de longe. João Coelho não escapa à regra. Na superfície chã da planície quaternária ou da planície terciária, as cidades não surgem aos nossos olhos com aquela visão panorâmica tão característica de inúmeras das cidades de espigão ou de colina do interior de São Paulo. João Coelho, por isso, não é vislumbrada de longe. A estrada que nos conduz a ela — estrada que a mata parece querer tragar — encurva-se e inclina-se numa suave ladeira para o talvegue do igarapé de João Coelho. Nesse instante descortinamos a primeira rua da cidade, distendida na vertente oposta. Essa primeira rua reflete os traços essenciais da paisagem urbana. É uma rua que tem cerca de 500 m de extensão e pouco mais de 20 casas, com aspecto de abandono e semi-ocultas pelas mangueiras. A maioria das ruas apresenta esse mesmo aspecto. Somente junto ao mercado e na quadra fronteiriça à praça da Matriz, as casas se aglomeram, coladas umas às outras. (...) Não há na cidade um centro comercial característico, a menos que consideremos como tal a área vizinha ao Mercado. Nesse trecho, concentra-se parte do comércio local, instalado nas próprias dependências do Mercado e em suas imediações. A vida social, pela manhã, é relativamente ativa nessa área, sobretudo porque em suas proximidades estão a estação da estrada de ferro e o ponto de parada dos chamados "paus de araras" — caminhões cobertos e com bancos de tábua –, que fazem a linha do interior. A vida nessa área à tarde e à noite é inteiramente morta. À noite, a função social desloca-se para a praça da Matriz, uma grande praça em quadrilátero, invadida pelas gramíneas e cortada ao meio pelos trilhos da estrada de ferro. A praça assemelha-se mais a um campo aberto, ladeada de longe pelas silhuetas das casas e pelo fundo verde das mangueiras. Do meio dessa enorme praça — que serve também de pasto às poucas cabeças de gado aí existentes — erguem-se o edifício da Prefeitura e o da Matriz, aquele num falso estilo grego e este numa forma quadrangular maciça, com suas torres semi-derruídas. Aqui, nesta praça abandonada e entregue ao domínio da -rama e das ervas daninhas, não há. como em nossas cidades do interior, o clássico coreto, nem os convidativos bancos de jardim. Devido ao calor e ao sol causticante da tarde e à deficiência da iluminação pública, à noite, os passeios de rua são pouco animados. As manifestações de vida coletiva só têm lugar pela manhã, nos domingos de missa, e à tardinha, nas conversas de calçada. A vida econômica da cidade é de completo marasmo. O comércio é pouco ativo. No grande edifício do Mercado pouca coisa existe à venda e nas lojas e vencias os estoques se reduzem a alguns artigos essenciais, tais como tecidos de algodão, querosene, sal, peixe salgado, etc. Esta situação, aliás, é uma decorrência do baixo padrão de vida população, o qual, por sua vez, reflete as precárias condições de economia regional. (...)" (Prof. Dirceu Lino de Mattos, São Paulo, visita em outubro de 1955). "Sigo até a velha estação, relativamente bem conservada (o telhado é original). A plataforma foi incorporada à rua, praticamente. Tornou-se menos que uma calçada. Mais adiante, de frente para a Igreja, o belo prédio do Grupo Escolar, bem conservado, igual aos de Castanhal e Igarapé-Açu,que o historiador José Guimarães me informou ter sido um padrão de Augusto Montenegro. Na frente do grupo um marco assinala a inauguração da Estrada de Rodagem da Vigia, quando era Interventor Magalhães Barata e Prefeito de Belém o Padre Leandro Ferreira. de tradicional família bragantina" (José Maria Quadros de Alencar, Blog do Alencar, 26/01/2008). O prédio da velha estação desativada, como em outros pontos, não é o mesmo de madeira original, que aparece numa das fotografias acima. 
(Fontes: Prof. Dirceu Lino de Mattos; José M. Q. de Alencar; SEPOF; http:// adrielsonfurtado.blogspot.com; IBGE: Revista Brasileira de Geografia, 1961; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960)
   

A estação, sem data. Autor desconhecido - http://adrielsonfurtado.
blogspot.com

A estação em janeiro de 2008. O prédio não é o mesmo de cem anos antes. Foto José de Alencar

fonte: 
http://www.estacoesferroviarias.com.br/braganca/staisabel.htm

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