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terça-feira, 25 de outubro de 2011

A mandioca agora será plantada com gosto

UFPA descobre e patenteia sequência de DNA da mandioca

A mandioca (Manihot esculenta Crantz), espécie comestível típica da América do Sul, é uma das mais importantes fontes de alimentos tropicais para mais de 600 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo as raízes da planta a parte mais comumente usada. Porém, na Amazônia, é comum a mandioca ser atacada por fungos, o que leva a uma doença caracterizada pela podridão mole da raiz. Mas, a partir de um estudo desenvolvido no Laboratório de Biologia Molecular do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA (ICB), isso pode mudar.

Chamada de “Sequência de DNA contendo a região promotora e elementos regulatórios do gene Mec1, com expressão na raiz da mandioca, para uso em programas de melhoramento genético”, a descoberta diz respeito à capacidade de direcionar a expressão de genes de interesse, de maneira localizada, nas raízes de plantas melhoradas geneticamente por meio da Biotecnologia. Esta descoberta surgiu no âmbito do projeto de pesquisa do ICB chamado “Isolamento e caracterização de sequências promotoras de raiz de mandioca”, coordenado pela professora Cláudia Regina Batista de Souza.

Passo a passo - A primeira etapa da pesquisa consistiu na obtenção da sequência de DNA (região promotora) do gene Mec1. Este gene codifica a proteína Pt2L4, rica em ácido glutâmico, e foi utilizado na pesquisa devido a sua alta expressão nas raízes da mandioca. A funcionalidade da sequência promotora foi confirmada por  experimentos de transformação genética de plantas e poderá ser utilizada no melhoramento da mandioca ou de outras culturas de interesse, como na obtenção de plantas com resistência a doenças e maior valor nutricional, contribuindo para o desenvolvimento da agricultura e melhoria da saúde humana e animal.

“Se nós aumentarmos a resistência a doenças e a pragas, nós melhoramos a produtividade, além de eliminarmos o uso de agrotóxicos que contaminam o meio ambiente. No caso da mandioca, a raiz possui um baixo valor nutricional, pois há muito amido e pouca proteína e vitamina. Então, se quisermos aumentar o valor nutricional da mandioca, poderíamos fazer por meio dessa sequência de DNA descoberta pela UFPA”, explica a professora Cláudia de Souza.

Os trabalhos de isolamento da sequência promotora e caracterização molecular foram realizados no Laboratório de Biologia Molecular da UFPA, enquanto os experimentos de transformação genética foram conduzidos na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Recursos Genéticos e Biotecnologia, localizada em Brasília. O projeto de pesquisa teve apoio financeiro da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente-PA, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Saúde e da Rede de Biotecnologia da Mandioca.

Descoberta ganhou patenteamento internacional – Ao final de setembro deste ano, a descoberta do Laboratório de Biologia Molecular da UFPA recebeu patente internacional da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), entidade internacional de Direito Internacional Público, com sede em Genebra (Suíça), integrante do Sistema das Nações Unidas. Isso significa que a sequência de DNA descoberta está protegida e só poderá ser utilizada em futuras pesquisas e experimentos por meio da autorização da UFPA e da Embrapa.

Além da professora Cláudia de Souza, participaram da descoberta os pesquisadores da Embrapa Francisco Aragão e Luiz Carvalho, as discentes da UFPA Edith Cibelle Moreira, Solange Nascimento e Carinne Monteiro. A participação da professora Maria Brasil Silva, do Setor de Propriedade Intelectual da UFPA, e da pesquisadora da Embrapa Simone Tsuneda também foi essencial na elaboração e submissão do pedido de patenteamento.  As futuras atividades da equipe de pesquisadores serão a de decidir em quais países a invenção deverá ser protegida. O que se espera é alcançar 145 países.


Texto: Igor de Souza – Assessoria de Comunicação da UFPA

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